A Europa é, por norma, um mercado importador de jogadores de futebol. Isto acontece pela qualidade dos vários campeonatos e restantes competições de cada país e pela visibilidade que o futebol europeu tem. Esse facto é aproveitado pelos clubes para recrutar ativos importantes, com custos mais baixos em mercados secundários.
Mas, à parte desta circulação de jogadores, assiste-se cada vez mais a um movimento de saída de jogadores dos campeonatos europeus para ligas de clubes do Médio Oriente. Os clubes de maior poderio destas ligas são, por norma, propriedade de figuras com grande poder financeiro, e com vontade de aumentar a qualidade e o renome das suas equipas. Isto numa zona do globo onde o futebol não é o desporto dominante, mas existe um gosto marcado pela modalidade por parte dos seus proprietários e algumas fatias da sociedade. É uma tendência que traz benefícios aos jogadores, clubes e instituições internacionais, mas que acarreta também alguns riscos.
As principais vantagens de jogar futebol no Médio Oriente
A questão financeira
O já mencionado poderio financeiro dos clubes do Médio Oriente permite oferecer aos jogadores condições contratuais monetárias com as quais é difícil de competir. Isto torna-se um atrativo para jogadores, mas também para clubes, que podem fazer mais e melhores negócios na venda de jogadores.
Espaço para afirmação
A Europa é o destino mais desejado para uma grande parte de jogadores, o que faz com que este mercado fique saturado, dificultando a afirmação pessoal do jogador. A mudança para um clube de futebol do Médio Oriente permitirá que os jogadores evoluam e se destaquem dado que essa é a melhor forma de serem novamente chamados aos clubes europeus.
Prolongamento da carreira
Esta vantagem é visível sobretudo para nomes mais sonantes do futebol, que, no entanto, estão já na parte descendente da sua carreira e a perder espaço nas equipas europeias. Face à necessidade de protagonismo e afirmação do Médio Oriente, estes clubes contratam estes jogadores de estatuto elevado para que estes prolonguem a carreira por mais uns anos. E, aos clubes de origem, fazer um encaixe ainda considerável com a venda.
Diversificação de mercados
Apesar de ser uma cultura ainda algo fechada, a popularidade do futebol assiste a uma tendência de crescimento no Médio Oriente. E face à sua dimensão, é um mercado que clubes, casas de apostas e organismos europeus e internacionais não podem negligenciar. Quer seja pelos novos talentos que possam surgir do desenvolvimento da modalidade, quer pelo potencial financeiro que um mercado destes pode trazer: receitas publicitárias, merchandising, projeção internacional, entre outros aspetos relevantes.
Cultura e comunicação
A cultura dos clubes do Médio Oriente pode, por vezes, dificultar um maior intercâmbio de ativos e até relações institucionais e políticas. A venda de jogadores para estes mercados ou a realização de competições de futebol nestas zonas geográficas permite a abertura de linhas de comunicação e cooperação, que podem trazer vantagens a ambas as partes.
As principais desvantagens de jogar futebol no Médio Oriente
Menor visibilidade
Apesar do potencial financeiro, as competições domésticas dos países do Médio Oriente ainda têm uma visibilidade limitada no panorama do futebol internacional. Para um jogador, isto pode significar uma desvalorização da sua imagem e mesmo do seu estatuto, que pode ser muito difícil de ultrapassar.
Segurança
Não será assim em todas as zonas, mas a região do Médio Oriente destaca-se, não raras vezes, pela instabilidade política e social, com implicações na segurança. Seja um jogador no plano individual, um clube ou uma competição organizada, há que assegurar condições de seguranças mínimas para que o futebol se possa desenrolar sem incidentes mais ou menos graves.
Diferenças culturais
Os valores ocidentais podem chocar com os valores defendidos no Médio Oriente. Isto pode gerar problemas de aceitação que, em última análise, podem criar desestabilização. Seja num jogador que começa a ser hostilizado e não consegue adaptar-se, num clube que não é bem recebido, ou nos que assistem a uma competição internacional e se vêm no meio de problemas que não teriam em território ocidentalizado.
Condições logísticas
Apesar das boas condições financeiras, muitos países do Médio Oriente apresentam grandes assimetrias económico-sociais entre a população. Há que ter este facto em consideração quando um jogador decide abraçar uma carreira no futebol nestes países. O mesmo se aplica às competições internacionais, cujas entidades organizadoras devem ponderar se estão reunidas as condições não só para a realização de jogos, mas para a sua assistência e transmissão.
Politização do futebol
A instabilidade política desta região, que muitas vezes antagoniza com as posições ocidentais, pode levar a que o futebol – sejam jogadores, clubes ou organismos responsáveis – sejam utilizados como arma política para marcar posições, devido à sua popularidade e importância no mundo ocidental. Isto retiraria não só a essência do espetáculo futebolístico, como poderia ter consequências ao nível da política internacional, um tema já de si delicado, mesmo sem contar com o potencial mobilizador do futebol: a nível das massas e opinião pública, paixões e dinheiro.
Jogar futebol no Médio Oriente é uma decisão que deve ser ponderada por cada jogador ou instituição que desenvolva alguma atividade nesta região. Pesados os prós e os contras, o mais importante é garantir as condições mínimas para que o futebol decorra sem incidentes ou situações que possam gerar antagonismos.
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